Por que juntamos as duas calculadoras aqui
Juros compostos e a comparação entre CDI, poupança e inflação resolvem duas perguntas diferentes, mas que se completam.
A primeira mostra o efeito do tempo: o que acontece quando você deixa o dinheiro trabalhando por anos, aportando todo mês, sem mexer.
A segunda mostra que rendimento nominal não é rendimento real. Um investimento pode “render” 6% ao ano e, depois de descontar a inflação, ter sobrado quase nada de poder de compra. É fácil comemorar o número errado.
Use as duas juntas: a primeira te mostra o potencial do longo prazo, a segunda te mostra se a rentabilidade que você está usando na conta é boa o suficiente pra valer a pena.
Nota sobre a poupança: a regra oficial do Banco Central é 0,5% ao mês + TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, e 70% da Selic + TR quando está em 8,5% ao ano ou abaixo. A calculadora logo abaixo usa uma aproximação mais simples — 70% do CDI informado, sem TR à parte — que facilita o cálculo rápido, mas pode superestimar o rendimento real da poupança em cenários de juros altos, como o atual. Trate o resultado da poupança na calculadora como uma estimativa, não como o valor exato que apareceria no seu extrato.
Simule agora
calcule antes de decidirSimulador de juros compostos
Veja quanto seu aporte mensal pode virar com o tempo.
CDI vs. Poupança vs. Inflação
Quanto R$ 10.000 rende em 1 ano em cada opção.
Simulador de Juros Compostos
O que essa calculadora responde
Quanto o seu dinheiro pode virar se você investir uma quantia hoje, aportar um valor todo mês e deixar rendendo por um determinado número de anos.
Como ela funciona por dentro
Juros compostos significa que você ganha juros sobre os juros, não só sobre o valor que colocou. No primeiro mês, seu dinheiro rende sobre o que você aplicou. No segundo mês, ele rende sobre o valor aplicado mais o que já rendeu no primeiro mês. E assim por diante. Esse efeito é pequeno no começo e cresce rápido depois de alguns anos — é por isso que tempo importa mais do que a maioria das pessoas imagina.
A calculadora soma dois efeitos: o crescimento do valor inicial sozinho, rendendo ano após ano, e o crescimento de cada aporte mensal, que também começa a render assim que entra.
Se quiser a fórmula: o valor futuro de um valor único é VF = VP × (1+i)ⁿ, e o valor futuro dos aportes mensais é a soma de uma série geométrica com essa mesma taxa. Você não precisa decorar isso — o simulador faz a conta.
O que preencher em cada campo
- Valor inicial: quanto você já tem hoje guardado ou aplicado para esse objetivo. Se está começando do zero, coloque R$ 0.
- Aporte mensal: quanto você consegue guardar todo mês, de forma realista — olhe seu orçamento dos últimos três meses antes de escolher um número otimista demais.
- Juros ao ano: a rentabilidade esperada do investimento que você vai usar. Se for um CDB ou Tesouro Direto, esse número normalmente aparece na lâmina do produto ou no extrato da corretora, como “% do CDI” ou taxa fixa ao ano.
- Prazo em anos: até quando você pretende deixar o dinheiro rendendo sem sacar.
Um exemplo numérico completo
Valor inicial de R$ 5.000, aporte mensal de R$ 500, rentabilidade de 12% ao ano, por 10 anos.
Resultado: total acumulado de aproximadamente R$ 126.500. Desse total, R$ 65.000 saíram do seu bolso (R$ 5.000 de entrada + R$ 500 × 120 meses) e cerca de R$ 61.500 vieram do rendimento.
Ou seja: quase metade do valor final não é dinheiro que você guardou — é o dinheiro trabalhando por conta própria.
Como interpretar o resultado
O “total acumulado” é o valor bruto, antes de qualquer desconto. Repare que o rendimento (R$ 61.500 no exemplo) só ultrapassa o total investido depois de vários anos — nos primeiros anos, a maior parte do saldo ainda é o que você mesmo colocou. Isso é normal: o efeito bola de neve dos juros compostos precisa de tempo pra aparecer.
Não interprete o resultado como “eu vou ter exatamente esse valor”. É uma projeção com taxa constante — a realidade tem taxas que sobem e descem.
As limitações honestas
Este simulador não desconta Imposto de Renda. Em produtos de renda fixa, o IR incide sobre o rendimento e diminui conforme o prazo, de 22,5% (até 6 meses) a 15% (acima de 2 anos) — quanto maior o prazo do seu exemplo, mais essa diferença importa.
Ele também não desconta taxa de administração, se o produto tiver.
Ele assume uma taxa de juros constante durante todo o período. Na prática, a rentabilidade de investimentos atrelados ao CDI varia junto com a Selic, ano a ano.
E ele mostra o valor nominal, não o valor real. Para saber quanto desse total ainda vale em poder de compra hoje, é preciso descontar a inflação acumulada do período — é exatamente pra isso que serve a calculadora de CDI vs. Poupança vs. Inflação, ao lado.
CDI vs. Poupança vs. Inflação
O que essa calculadora responde
Se vale mais deixar seu dinheiro na poupança ou num investimento atrelado ao CDI — e quanto sobra de cada um depois de descontar a inflação do período.
Como ela funciona por dentro
Todo investimento tem dois números: o rendimento nominal (o que aparece no extrato) e o rendimento real (o que sobrou depois que os preços subiram). Se seu dinheiro rendeu 6% em um ano e a inflação do mesmo período foi 4,6%, você não ficou 6% mais rico — ficou pouco mais de 1% mais rico, porque parte desse rendimento só compensou o aumento dos preços.
A calculadora pega o rendimento nominal do CDI (100% do CDI informado) e estima o rendimento nominal da poupança como 70% desse mesmo CDI — uma aproximação simples e comum, mas que não é idêntica à regra oficial do Banco Central (0,5% ao mês + TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, ou 70% da Selic + TR quando está igual ou abaixo disso). Ela desconta a inflação informada do rendimento da poupança e mostra esse ganho real como resultado principal, além de exibir os três valores nominais (CDI, poupança e perda por inflação) num gráfico de barras.
O que preencher em cada campo
- CDI ao ano: a taxa CDI vigente, publicada diariamente. Você encontra no site do Banco Central, na B3 ou direto no aplicativo da sua corretora.
- Inflação ao ano: o IPCA acumulado em 12 meses, divulgado mensalmente pelo IBGE. Buscar “IPCA acumulado 12 meses” traz o número atualizado.
- Valor aplicado: quanto você tem ou pretende aplicar, para ver o ganho em reais, não só em percentual.
Um exemplo numérico completo
CDI a 14,15% ao ano, IPCA acumulado em 12 meses de 4,64% ao ano, valor aplicado de R$ 10.000.
Rendimento nominal do CDI (100%): R$ 1.415 no ano. Rendimento nominal estimado da poupança pela aproximação da calculadora (70% do CDI): R$ 990,50. Descontando a inflação — R$ 464 sobre os R$ 10.000 — o ganho real da poupança fica em R$ 526,50, cerca de 5,26% ao ano acima da inflação. É esse número que a calculadora mostra como resultado principal, ao lado do gráfico de barras com os três valores nominais.
Fazendo a mesma conta para o CDI (R$ 1.415 − R$ 464 = R$ 951 de ganho real, cerca de 9,51% ao ano) — um número que a calculadora não exibe pronto, mas que você pode calcular do mesmo jeito — a diferença para a poupança continua grande.
Como interpretar o resultado
Mesmo com a aproximação simplificada usada aqui, o CDI entrega um ganho real bem maior que a poupança no exemplo acima. E vale um alerta: a poupança real informada pela calculadora (~5,26% ao ano) tende a ficar acima do que a poupança realmente entrega pela regra oficial do Banco Central — que, com a Selic no patamar atual, fica bem mais perto de só 1,5% real ao ano, considerando a TR. Ou seja: a distância real entre poupança e CDI tende a ser ainda maior do que esta calculadora mostra.
As limitações honestas
Este simulador não desconta Imposto de Renda. A poupança é isenta de IR para pessoa física, mas a maioria dos investimentos atrelados ao CDI (CDB, Tesouro Selic, fundos DI) é tributada pela tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo. Isso reduz o ganho real do CDI no exemplo acima — ainda assim, mesmo com o IR mais alto, ele costuma continuar rendendo mais que a poupança quando a Selic está nesse patamar.
Ele estima o rendimento da poupança como 70% do CDI informado, uma aproximação simplificada que não aplica a fórmula oficial do Banco Central nem soma a TR separadamente. Em cenários de CDI muito alto, essa aproximação tende a superestimar o rendimento real da poupança — trate o número como uma estimativa rápida, não como o valor exato do seu extrato.
Ele também não considera taxa de administração de fundos, nem o risco de crédito do emissor — CDBs acima do limite de cobertura do FGC (R$ 250 mil por CPF e instituição, hoje) não têm a mesma garantia da poupança.
E ele usa uma taxa fixa para todo o período simulado. Na prática, CDI e inflação mudam mês a mês — o resultado é uma fotografia das condições atuais, não uma promessa para o futuro.
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Depois de simular o efeito dos juros compostos, veja como montar uma carteira de investimentos do zero ou descubra quanto guardar de reserva de emergência antes de investir o resto. Para entender todas as opções de renda fixa além do CDI, veja o guia completo de renda fixa. E depois de organizar a renda fixa, veja como escolher ações com a Bússola de Ações.
